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O SEGUNDO TURNO JÁ COMEÇOU

O SEGUNDO TURNO JÁ COMEÇOU

Paulo G. M. de Moura – Cientista Político

Quem se der ao trabalho de ler a sequência dos meus últimos artigos aqui no site verá que a linha de análise que venho adotando está se confirmando. Afirmei, entre outras coisas, que essa é uma eleição disruptiva que escapa aos padrões tradicionais desse período recente da política brasileira (http://emaconteudo.com.br/2018/07/05/uma-eleicao-disruptiva/); que há um divórcio entre o eleitor de direita e o PSDB (http://emaconteudo.com.br/2018/08/09/o-divorcio-do-eleitor-de-direita-com-o-psdb/); que poderia ocorrer um fenômeno que denominei “efeito capote”, que levaria um grande contingente de eleitores a se deslocar rapidamente em direção a um escolhido levando-o à vitória (http://emaconteudo.com.br/2018/08/29/a-eleicao-2018-e-o-efeito-capote/); que se Bolsonaro acerta seu posicionamento após sofrer o atentado isso poderia ampliar sua penetração eleitoral (http://emaconteudo.com.br/2018/09/08/um-novo-bolsonaro-e-possivel/); que, a rejeição a Bolsonaro junto ao eleitorado feminino é uma fabricação midiática artificialmente inflada e tendente a não se confirmar nas urnas e que o antipetismo é o maior partido do Brasil, de modo que a polarização Bolsonaro versus Haddad tenderia a reforçar o crescimento de Bolsonaro (http://emaconteudo.com.br/2018/09/15/espiral-do-silencio-e-voto-feminino-em-bolsonaro/); e finalmente, que, a possibilidade de vitória de Bolsonaro no primeiro turno tinha se tornado uma possibilidade real.

Os dois fatos relevantes que acentuam essa tendência são, respectivamente a primeira live de Bolsonaro direto do hospital e a confirmação da ascensão de Haddad nas pesquisas, alçado à segunda posição por todos os institutos.

Protegido pelo escudo da falsa candidatura de Lula, Haddad, então desconhecido, não carregava a carga da rejeição ao petismo. Assumindo a linha de frente após o veto do TSE à candidatura de Lula, Haddad começou a atrair o voto petista e, ao mesmo tempo, a rejeição ao petismo. Uma armadilha inescapável.

Dessa forma confirmou-se também a possibilidade que antecipamos, de que essa eventual polarização favoreceria o voto útil à esquerda e à direita em direção aos dois polos mais fortes da disputa. Isso tornou a pregação precipitada do voto útil em outros candidatos um verdadeiro tiro no pé, pois, ao introduzirem o argumento no debate, catalisaram o deslocamento de eleitores antipetistas para Bolsonaro, o nome mais forte para impedir o mal maior.

No outro polo da disputa, minha avaliação é de que Bolsonaro acertou 100% o conteúdo e a forma da sua live no Facebook. No momento em que esse artigo é escrito essa live está com 6,5 milhões de visualizações no post principal da página do candidato. Sinteticamente, sua fala foi composta de três blocos de conteúdo. Agradeceu emocionado a Deus, aos médicos, familiares e apoiadores; mirou no PT como alvo principal e, jogou suspeição sobre as urnas eletrônicas, criando constrangimentos a uma eventual fraude contra si, reforçando um temor que integra sua retórica e de grande parte dos grupos que apoiaram o movimento do impeachment de Dilma Rousseff.

As pesquisas recentes não captaram o impacto da live. As próximas captarão. Minha hipótese é que a tendência de seu crescimento e de redução de sua suposta rejeição tende a se acentuar. Igualmente tendem a apontar o crescimento da rejeição ao candidato do PT.

Com o impedimento de Bolsonaro para fazer campanha de rua e ir a debates, o clima de polarização beligerante que vinha se constituindo amenizou-se em benefício de Bolsonaro que, da condição de vítima, angaria solidariedade e votos numa tendência que não se esgotou e tende a crescer. A decisão de não enviar substitutos de Bolsonaro a debates, assim como a ausência de Paulo Guedes no programa Roda Viva da TV Cultura ontem foram acertadas. Num cenário assim, em que Bolsonaro cresce deitado no leito do hospital, melhor não bulir com o tabuleiro.

Convém registrar que há um erro crasso de todos os institutos de pesquisa, amplamente repercutido pela mídia, nas perguntas que medem rejeição. A maneira como a pergunta é formulada induz o eleitor a rejeitar um candidato que desconhece contaminando o índice que fica artificialmente inflado. Parece óbvio, mas ninguém vê. Só se pode rejeitar o que se conhece. Logo, a pergunta sobre rejeição deve isolar os eleitores que desconhecem e medir a rejeição apenas junto aos eleitores que afirmam conhecer os candidatos. Pode-se obter esse número com cruzamentos de dados. Mas, institutos e mídia estampam rejeições artificialmente infladas por esse erro.

Há, no entanto, um fato incontestável sobre rejeição. Trata-se da rejeição ao petismo que, mesmo descontado esse erro é real e enorme. O antipetismo é hoje o maior partido do Brasil.

Já afirmei aqui e repito: opinião pública é um bicho vivo e que se move. Opinião púbica não é índice de pesquisa publicada, é resultado do embate político real entre forças sociais mobilizadas. A pesquisa publicada faz um corte vertical abrupto na realidade e capta uma foto do momento. Quando a foto é publicada a realidade já mudou, especialmente em momentos como o atual em que contingentes enormes de eleitores começam a antecipar para a reta final do primeiro turno, uma escolha que, sob outras circunstâncias somente ocorreria no segundo turno.

Para entender-se como a coisa funciona, devemos olhar para o filme e não para a foto. Hoje, as duas tendências dominantes no tabuleiro da disputa são, por um lado, o crescimento da candidatura Haddad, mas também de sua rejeição, e, por outro, o crescimento da candidatura Bolsonaro e a redução da sua rejeição.

As urnas sorriem para Bolsonaro e o segundo turno já começou. A possibilidade de sua vitória em primeiro turno tornou-se real. Já não está mais no radar. Está no horizonte.

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Cientista Político e Produtor de cinema e vídeo.