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UM NOVO BOLSONARO É POSSÍVEL?

UM NOVO BOLSONARO É POSSÍVEL?

Paulo G. M. de Moura – Cientista Político

O atentado contra a vida de Jair Bolsonaro muda radicalmente o cenário eleitoral e é daqueles acontecimentos que leva todos os candidatos a terem que rever suas estratégias e posicionamentos.

Até aqui tínhamos um quadro quase estagnado com Bolsonaro liderando as pesquisas seguido de um bloco de candidatos disputando a outra vaga para o segundo turno e um enorme contingente de não-voto (nulos, brancos e indefinidos). Análises mais detalhadas dos cruzamentos de dados das pesquisas publicadas indicavam movimentação de eleitores mudando suas escolhas, ainda que sem afetar significativamente a posição geral dos candidatos no ranking. Essas alterações costumam se refletir em seguida na mudança de lugar dos competidores nas pesquisas. Nada, no entanto, parecia ameaçar a liderança de Bolsonaro.

Informações divulgadas pela imprensa, no entanto, sugeriam que a estratégia de ataque de Alckmin contra Bolsonaro estaria “funcionando”. Por funcionando entenda-se, aumentando a rejeição do deputado e dificultando seu eventual crescimento. Não obstante, a última pesquisa Ibope divulgada em 5/9 apontava um crescimento de 2 pontos percentuais de Bolsonaro, dentro da margem de erro.

A lógica dos manuais de marketing político ensina que um candidato que precisa vencer uma eleição majoritária e para isso precisa conquistar eleitores que ainda não tem, deveria identificar o segmento-alvo sobre o qual pode crescer e modular seu posicionamento para conquistar esses eleitores.

Mas, a campanha de Bolsonaro não tem marqueteiro e não segue manuais. Ao contrário da lógica, Bolsonaro reforçou o posicionamento “mais do mesmo”, aparentemente na expectativa de preservar sua liderança nas pesquisas e deixando a penetração nesse novo segmento para o segundo turno. Decisão arriscadíssima numa campanha de tiro curto em que recalibrar uma imagem e um posicionamento consolidados requer tempo. No caso de Bolsonaro, muito tempo.

Na história recente da política brasileira dois políticos conseguiram isso e foram bem-sucedidos em suas empreitadas. Sob a batuta de Duda Mendonça, Paulo Maluf elegeu-se prefeito de São Paulo e Lula presidente do Brasil. O caso de Lula, de memória mais recente, foi clássico. O sindicalista radical que perdera nas três tentativas anteriores de se tornar presidente, aparou a barba, vestiu Armani, moderou o discurso, conquistou a classe média resistente a radicalismos e venceu.

Bolsonaro, não apenas não optou por esse receituário como apostou em reforçar sua retórica contundente. Talvez considerando que iria ao segundo turno contra o candidato de Lula num contexto em que a rejeição ao petismo é maior do que a dele, Bolsonaro tenha apostado na polarização radicalizada na expectativa de que o antipetismo trouxesse para si os votos necessários para vencer no segundo turno. Uma aposta arriscada, mas faz sentido.

No entanto, ao sofrer o atentado, Bolsonaro ganhou de presente duas oportunidades. A primeira foi sobreviver; a segunda, se valer da condição de vítima para se reposicionar e tentar penetrar num enorme contingente de eleitores que resistem apoiá-lo devido aos seus arroubos retóricos e o temor de um cenário de maior radicalização política do que já temos em estado crescente desde que Lula inaugurou o discurso do “nós contra eles” na política brasileira. Discurso que Bolsonaro passou a corresponder com suas declarações a favor de “fuzilar a petralhada” em igual calibre e sentido contrário.

As mudanças possíveis a Bolsonaro, do ponto de vista pessoal e político, se conectam. A primeira é de natureza existencial. O “mito” viu bem de perto aquela senhora de preto carregando um gadanho e acenando na sua frente com um chamado a acompanhá-la. Recusou o convite. Muito dificilmente um ser humano volta a ser exatamente o mesmo após sentir o risco de morte de perto. A lógica e a experiência ensinam que as pessoas que passam por situações traumáticas como essa, amadurecem, reavaliam sua percepção da vida e mudam seu jeito de ser.

A segunda mudança é de posicionamento e imagem da sua candidatura. E entrevista do General Mourão ontem à noite 7/9 na GloboNews sugere que essa decisão parece estar em curso como estratégia de campanha. Mas, ela precisa ser corroborada pelo candidato. Hora de acalmar os ânimos e conter a radicalização afirmou Mourão, em consonância com os adversários de Bolsonaro que apontam na mesma direção.

Do ponto de vista político, real, essa é uma medida necessária. A escalada de radicalização vem crescendo no país desde a última eleição de Dilma Rousseff, patrocinada por Lula, PT, MST e congêneres, mas alimentada também pela retórica de Bolsonaro. Mais cedo ou mais tarde uma tragédia aconteceria e aconteceu patrocinada por um ativista de esquerda, ainda que a mídia tente esconder essa verdade. O ataque à vida de Bolsonaro partiu de um esquerdista e isso deixa toda a esquerda em posição desfavorável.

Bolsonaro sobreviveu, felizmente, e agora recebeu de presente a oportunidade de sair da adolescência política para se mostrar um líder capaz de unir e governar a nação. A condição de vítima, especialmente de vítima sobrevivente de um atentado contra a sua vida, é ideal em política, pois atrai solidariedade e impossibilita o ataque dos adversários.

Na eleição de 2014, Marina Silva assumiu a candidatura presidencial após a morte de Eduardo Campos e em duas semanas saltou para o segundo lugar nas pesquisas em trajetória ascendente que poderia levá-la à vitória não fosse o ataque vil do PT acusando-a de tirar o prato de comida da mesa dos pobres se fosse eleita.

A condição de Bolsonaro é politicamente mais favorável ainda a ele, pois ele mesmo é a vítima sobrevivente de um atentado e convalesce, mas recuperando aos poucos a possibilidade de falar ao povo direto do leito do hospital, como aliás arriscadamente já o fez. Dadas as circunstâncias, a lógica sugere que Bolsonaro cresça nas pesquisas, não sendo despropositado imaginar-se que se aproxime da possibilidade de vencer no primeiro turno.

Qual o posicionamento e o discurso adequado para ampliar a solidariedade e apoio que naturalmente já recebe nesse momento?

Afirmar que o risco de morte o fez amadurecer, reavaliar a vida e valores existenciais. Clamar pela pacificação política da nação e pela unidade dos brasileiros para mudar nossa situação para outro patamar político capaz de alavancar as condições para um novo momento histórico. Assumir a posição do estadista que vai governar um povo inteiro e não apenas o segmento que até agora o apoia.

Agora, mais do que nunca, Bolsonaro tem chances reais de vencer a eleição. Mudanças de posicionamento e imagem de políticos, como já dito, requerem tempo. Bolsonaro ganhou de presente uma raríssima oportunidade de fazer isso com autenticidade e sem risco de perder seus seguidores mais apaixonados, no curtíssimo prazo.

Se assim agir, Bolsonaro fará um bem a si mesmo. Fará um bem maior ainda às suas condições estratégicas de vencer a eleição e depois governar com apoio da maioria da população. E fará um bem à nação, pois o clima de radicalismo e beligerância em que nos encontramos não prenuncia nada de bom para o futuro a prosseguir na escalada crescente em que vinha se propagando.

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Cientista Político e Produtor de cinema e vídeo.