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A ELEIÇÃO 2018 E O “EFEITO CAPOTE”

A ELEIÇÃO 2018 E O “EFEITO CAPOTE”

Paulo G. M. de Moura – cientista político

A eleição em curso apresenta uma característica até agora quase imutável: um candidato líder seguido de um pelotão de candidatos mais ou menos embolados nas pesquisas e; por fim, um enorme e decisivo contingente de eleitores no bloco do chamado “não-voto”. Diante desse quandro comentaristas especulam sobre cenários. Cada analista pinça o que lhe convém na tentativa de prognosticar o futuro da eleição mais incerta desde o pleito de 1989.

Indistintamente todos recorrem a variáveis do passado tais como tempo de TV, palanques regionais, financiamento de campanha, coligações, transferência de votos e recall de eleições anteriores, para explicar porque Bolsonaro vai cair ou estacionar, porque Haddad, Alckmin ou Marina vão crescer. A última esperança desses comentaristas é a propaganda na TV como fator capaz de conduzir a eleição para o resultado que desejam, qual seja, a derrota de Bolsonaro.

Dentre os analistas de mídias sociais consultados pela imprensa observam-se comentários sobre o impacto dessas mídias na eleição. Muitas vezes essas opiniões se baseiam em observações focadas nas regras de funcionamento dessas mídias impostas por seus provedores e/ou são apegadas a dimensões parciais do fenômeno digital. Muitos desconhecem as técnicas de data science e, especialmente, especulam sobre hipóteses sem sustentação em referências consistentes sobre o comportamento do eleitor sob a influência dessas variáveis; algo impossível já que não há precedentes nas eleições brasileiras que forneçam parâmetros conclusivos.

Nossa análise, como todas, é especulativa. O esforço aqui é o de buscar indicadores mais consistentes para sustentação de argumentos do que o simples desejo de ver um determinado cenário se confirmar, sabendo que, qualquer um que fizer afirmações categóricas sobre o destino dessa eleição tem grandes probabilidades de estar errado.

Tornou-se lugar comum afirmar que as pesquisas mostram um eleitorado desconectado do debate político. No entanto, o cenário político do país (corrupção, descrédito da classe política, falência do Estado, proeminência de candidatos a presidente percebidos como “antipolítica”), assim como, as manifestações de eleitores reveladas em pesquisas qualitativas sugerem que esse eleitorado do chamado “não-voto” está atento ao debate. É observador, crítico e está à procura de um nome. E, num determinado momento, vai escolher um candidato e convergir rapidamente e em massa para ele provocando um “efeito capote”.

Importante agregar o fato de que, ao contrário do que costuma acontecer com campanhas eleitorais em que predominam as mídias tradicionais como instrumentos de comunicação dos candidatos com o eleitor, numa campanha com uso intensivo da internet, na qual algumas candidaturas detêm as tecnologias disruptivas adequadas ao uso de mídias digitais, os deslocamentos de contingentes de eleitores de uma posição para outra e a convergência rápida e massiva em direção à escolha de um nome, tendem a passar despercebidas de quem não detém a análise correta do cenário, de quem não faz pesquisas de tracking e de quem não sabe usar  as métricas de aferição do comportamento do eleitor nas mídias sociais.

Independentemente disso, o porto seguro está na compreensão de que o processo político é comandado por fatores políticos, com o perdão da redundância. Ou seja, é o processo político que norteia o processo comunicacional e não o contrário como muitos parecem acreditar.

Uma eleição é presidida pela lei da oferta e demanda tal como ocorre no mercado. Qual a demanda central que definirá a decisão de voto da maioria em 2018? É o desejo eleger alguém novo, mas experiente. Novo é algo que pode ter vários significados. Pode representar alguém que vem de fora da política ou alguém cuja conduta política não se confunde com as práticas reveladas pela Lava Jato. Experiente significa que o eleitor teme escolher um novo que implique numa aventura desastrosa no governo.

Vencerá a eleição quem melhor ofertar esse “mix de produto” na “embalagem mais sedutora”. Nem sempre é possível encontrar em “forma pura” um candidato que corresponda exatamente a essa demanda. Por vezes, é possível embalar um candidato num pacote tentador. Mas, terminada a eleição, se o produto não corresponder à embalagem, ou o eleito terá que abandonar o governo (Dória), ou será removido (Collor e Dilma).  O esforço do estrategista, portanto, é o de mostrar que, seu candidato é o que o eleitor quer, ou, não sendo o candidato exatamente o que o eleitor quer, ele é, pelo menos, dentre as opções disponíveis, a que melhor corresponde a essa demanda.

Sob esse ponto de vista, quem são os nomes que podem atender esse desejo do eleitor: ao nosso ver, João Amoêdo e Jair Bolsonaro. Por um lado, Amoêdo por ser um nome novo e de um partido novo; por ser gestor experimentado e por ser o candidato que usa as técnicas de data science como nenhum outro candidato nessa eleição. Mas, falta-lhe o carisma e o punch de Bolsonaro e uma base social mais ampla.

Por outro, Bolsonaro por encarnar o sentimento de indignação do eleitor com a velha política e a situação do país; por ter montado, ao longo dos últimos anos, uma base social de apoio maior e mais ativa do que qualquer partido político e por dispor de uma poderosa rede orgânica e descentralizada de multiplicadores reais e digitais, combinação essa sem parâmetros na política brasileira. Por esses motivos, o “mito” tornou-se mito e assim, encarna o novo. E, ao dispor de Paulo Guedes, e agora do general Mourão, como avalistas da demanda por experiência, compensa o que lhe faltaria como gestor. Marina tem recall nas pesquisas e alguns ingredientes do “mix de produto” demandado. Mas, não tem partido forte, não tem TV, não tem dinheiro, não tem data science a seu serviço e sua base social não é uma rede, é uma gelatina que desanda assim que o PT decidir tirá-la do caminho como já fez na eleição passada.

Outro fator relevante, tão consistente quanto desprezado por todos os analistas é a capacidade de mobilizar bases sociais. As forças políticas que detêm esse poder hoje são, Bolsonaro em maior escala, por um lado, e o PT, por outro. Mas, a mobilização do PT é defensiva já que o “produto PT” representa tudo o que os eleitores querem varrer da política brasileira. O petismo mobiliza militantes com perfil de seguidores de uma seita e burocratas sindicais e partidários desidratados do dinheiro dos nossos impostos; desesperados para recuperar empregos no Estado e por acesso aos cofres públicos. O eleitor do petismo no Nordeste é massa de manobra; não é vetor capaz de construir ondas de opinião pública mobilizada para contagiar uma nação fã da Lava Jato.

Sob esse ponto de vista, não vejo como imaginar que Alckmin possa chegar ao segundo turno, pois, tal como o PT, o PSDB também encarna tudo aquilo que o eleitor rejeita. E piorou sua situação ao aliar-se ao centrão. O PSDB padece de hemorragia política e corre o risco de tornar-se irrelevante nessa eleição.

Se esta análise está correta, e, de fato, acontecer o que chamamos aqui de “efeito capote”, a probabilidade maior é que o contingente de eleitores do bloco do “não-voto” migre para Bolsonaro e Amoêdo, não sendo descartável, a depender do tamanho da onda, que essa eleição se conclua em primeiro turno. Não é o mais provável, mas não é impossível. Havendo segundo turno, por coerência, o nome mais provável a ocupar a vaga no quadrante oposto é o do candidato de Lula.

PS.: No RS, Alckmin roubou o palanque de Bolsonaro e levou Ana Amélia para ser sua vice, mas não ganhou um voto sequer de Bolsonaro com essa jogada. Órfão de um candidato a governador, o eleitor de Bolsonaro está migrando para Mateus Bandeira, do Novo, que reúne um currículo acadêmico e profissional invejável; testado no setor público e na inciativa privada, algo sem igual na política brasileira atual. Bandeira é um mix melhorado de Amoêdo e Bolsonaro. Possui o punch do mito e é mais preparado como político e como gestor do que o seu candidato a presidente.

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Cientista Político e Produtor de cinema e vídeo.