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O DIVÓRCIO DO ELEITOR DE DIREITA COM O PSDB

O DIVÓRCIO DO ELEITOR DE DIREITA COM O PSDB

Paulo G. M. de Moura – cientista político

Durante os anos de polarização PT/PSDB em que o PT carimbou na testa dos tucanos a pecha de “neoliberais” o PSDB foi vendido ao eleitorado brasileiro como um partido de direita e assim foi percebido pela população, com ajuda da imprensa, cujas redações são hegemonizadas por jornalistas de esquerda.

O desconforto dos tucanos com essa pecha sempre foi perceptível ao observador atento. Desde as origens o PSDB sempre pretendeu ser um partido socialdemocrata de estilo europeu. Esquerda light, moderna, capaz até mesmo de algumas privatizações tal como fez a socialdemocracia em vários países do mundo depois da falência do socialismo soviético. Programaticamente e nas suas intenções originais o PSDB é um partido de centro-esquerda e gostaria de ser assim percebido.

No poder, privatizou parte das estatais, mas aumentou a carga tributária; o endividamento público e fugiu da Reforma do Estado após aprovar a mudança do capítulo da Ordem Econômica da Constituição de 88, preferindo jogar sua força e legitimidade na batalha pela reeleição de Fernando Henrique Cardoso. Queimou boa parte do seu capital político nessa empreitada.

Acusado de privatista pelo PT em eleições posteriores, notadamente na tentativa anterior a essa de Alckmin se eleger presidente, o PSDB recusou-se a defender as privatizações do FHC e revelou-se envergonhado das reformas liberalizantes que lastrearam o Plano Real.

O patamar de largada da candidatura FHC nas eleições de 1994 foi de cerca de 16% no Datafolha de maio de 1994. Na pesquisa Datafolha de julho de 2017 o PSDB apareceu com 5% das preferências como legenda partidária. Um ano depois, no levantamento do mesmo instituto, apareceu com 3%. No levantamento do Ibope de março de 2018 sobre preferências partidárias a legenda do PSDB apresentou-se com 6% de simpatia dos entrevistados. Esses números estão muito próximos dos índices de intenção de voto em Alckmin nas pesquisas recentes.

Com advento das mídias sociais e o ambiente político que surgiu com os movimentos de rua de 2013 e depois, com o movimento pelo impeachment da Dilma Rousseff a partir do final de 2014, o país assistiu o ressurgimento da direita na política brasileira. Há diferenças internas nessa direita que não se apresenta como um monólito. Liberais e conservadores de diversos matizes se digladiam por questões envolvendo costumes e valores (aborto, drogas e casamento homossexual, principalmente), mas nutrem um quase consenso em torno da agenda econômica liberal. A exceção a esse consenso é uma minoria radicalizada protofascista e saudosa do regime militar e do nacional desenvolvimentismo que nem mais as forças armadas brasileiras defendem.

Ainda que não tenham assumido a cara de um único partido essas forças sociais estão hoje representadas politicamente dentro de várias legendas ou de movimentos cívicos com intensa atividade política nas redes sociais reais e nas mídias sociais. A maioria deve votar em Bolsonaro.

Para efeitos de análise, o que importa é que hoje o quadrante direito do espectro político está ocupado e com cara própria, seja através da candidatura de Bolsonaro, seja do Partido Novo ou das lideranças políticas de movimentos como o MBL que optaram por uma estratégia de ocupação de espaços dentro das legendas tradicionais. Ou seja, saíram todos debaixo do guarda-chuva do PSDB, partido em quem antes votavam exclusivamente por falta de opção mais à direita. Libertaram-se da incômoda situação de terem que votar num partido de centro-esquerda para evitar o mal maior representado pelo PT.

A esse contexto é preciso agregar o desgaste de imagem do PSDB, especialmente o decorrente do envolvimento do nome de Aécio Neves em escândalos de corrupção. Essa é uma cicatriz indelével na face do partido. Por mais que Alckmin e Anastasia tentem esconder o incômodo correligionário, os adversários tratarão de lembrar o eleitor.

Além disso, em São Paulo, onde governa há 24 anos, os tucanos amargam o desgaste da “fadiga dos materiais” ao qual se acresce a emergência de escândalos envolvendo obras nos setor de transportes (trens, metrô, rodoanel) que, embora ainda não tenha atingido pesadamente Geraldo Alckmin, contribuem para criar um clima de suspeição que soma-se para explicar o baixo desempenho das candidaturas do partido à Presidência da República e ao Governo do Estado.

A eleição meteórica de Dória a prefeito foi o último suspiro do PSDB em SP. Dória venceu adotando um posicionamento de outsider e com um discurso mais à direita no estado em que o PT sofre enorme desgaste e rejeição. Esse posicionamento não lhe é mais possível. A chama de Dória apagou-se.

Ao longo de 2017, percebendo a força de Bolsonaro no eleitorado de direita e percebendo o desgaste do PT, o PSDB ensaiou tentativas de flertar com o eleitor de esquerda. É isso que explica as declarações de FHC, Alckmin e Dória em defesa da candidatura de Lula a presidente. Dória, além disso, emitiu declarações a favor do Estatuto do Desarmamento e tentou aumentar o IPTU, tendo recuado frente às resistências. Mas, em seguida, taxou o Netflix e congêneres.

Essas declarações e atitudes foram fatais para a imagem de Dória perante a direita mobilizada que saiu das ruas, mas está viva e ativa nas mídias sociais. Imediatamente após assim agir o monitoramento das páginas e contas digitais do tucano revelou enorme sangria de seguidores e, nos grupos do Facebook, Whatsapp e Telegram ele e o PSDB passaram a ser duramente atacados e tachados de socialistas fabianos, alcunha cuja autoria é atribuída a Olavo de Carvalho.

No que diz respeito à relação do PSDB com esse tipo de eleitor, estamos diante de um divórcio litigioso e irreconciliável, do tipo em que a mulher traída vai passar resto da vida infernizando a vida do marido pego na cama do casal com o centrão.

Agregue-se a esses fatores a rejeição que Dória atraiu sobre si ao abandonar a prefeitura de SP para tentar a empreitada presidencial indispondo-se com Alckmin, que fora avalista de sua candidatura a prefeito, desgaste esse que permanece pairando sobre sua candidatura ao governo estadual. Dória aparece empatado com Skaf nas pesquisas de primeiro turno e cerca de três pontos atrás do peemedebista nas projeções de segundo turno de vários institutos.

Perto dos índices que já teve no passado em que vencia com tranquilidade as eleições estaduais e sempre foi ator relevante nas eleições da capital, tendo vencido a última no primeiro turno, o baixo desempenho de Alckmin e Dória nessas eleições constitui-se em forte vulnerabilidade não apenas pelos índices em si, mas pela percepção de que, se não consegue decolar em São Paulo, como conseguirá vencer essas eleições?

Aliado com o centrão e tendo conseguido a maior fatia do tempo de TV e do fundo partidário, Alckmin vende como trunfo o que pode ser uma enorme vulnerabilidade. Afinal sua aliança representa tudo o que o eleitorado brasileiro passou a rejeitar com os escândalos de corrupção. Ou seja, o PSDB atraiu para si os olhares desconfiados e descontentes não apenas do eleitorado ideologicamente de direita antes referido, mas da imensa maioria dos eleitores que manifestam rejeição à velha política e que hoje desaguam intenções de voto em Bolsonaro e no não-voto (abstenções, brancos, nulos e indefinidos).

Esse é o produto que Alckmin representa. O esforço de seus marqueteiros consistirá em esconder tudo isso numa embalagem dourada e reluzente na tentativa de convencer esse eleitorado de que a mudança passa por não mudar nada. Muito tempo de TV pode ser tornar uma vulnerabilidade nesse contexto. Especialmente porque Alckmin não joga sozinho e porque há vida inteligente no campo adversário. E, também, porque nas mídias sociais o processo de desconstrução da imagem de uma figura pública acontece muitas vezes de forma espontânea através de memes e vídeos criativos e com alto poder de corrosão e viralização.

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Cientista Político e Produtor de cinema e vídeo.