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UMA ELEIÇÃO DISRUPTIVA

UMA ELEIÇÃO DISRUPTIVA

Paulo G. M. de Moura – Cientista político

Disrupção significa a quebra ou descontinuidade de um processo estabelecido. O termo está em voga para caracterizar o impacto das novas tecnologias sobre a vida cotidiana, o mundo do trabalho e a economia. Mas, se todas essas dimensões da vida humana estão mudando sob impacto das novas tecnologias, como imaginar que a política ficaria imune à mudança?

Vamos portanto, tentar iluminar algumas dimensões do que se passa na política brasileira para demonstrar que o sistema político tradicional, os analistas acadêmicos e os comentaristas políticos da mídia, em sua maioria, não estão entendendo o que se passa e, consequentemente, perderam a capacidade de antecipar cenários e agir estrategicamente.

Comecemos listando algumas categorias que costumam organizar o pensamento e/ou a ação desses analistas ou atores políticos. São elas:

  1. Presidencialismo de Coalisão: pressuposto de que a única forma de vencer eleições e governar o Brasil é através da formação de amplas coligações eleitorais, e, após a vitória; da cooptação da maioria do parlamento através do loteamento do governo;
  2. Governabilidade e consenso social: pressuposto segundo o qual somente é possível governar sob uma conjuntura de estabilidade política, social e financeira, em que o poder executivo pode exercer plenamente as suas atribuições a partir da formação de consensos sociais mínimos que limitam o que é possível fazer como governo;
  3. Regras eleitorais: pressuposto de que tempo de TV e acesso ao fundo partidário são centrais para determinar a força política de um candidato;
  4. Estruturas e articulações: pressuposto de que coligações; palanques regionais; presença em governos; bancadas de apoio oferecem preponderância e vantagem competitiva aos candidatos; e,
  5. Direita-Centro-Esquerda: pressuposto segundo o qual seria possível entender o comportamento dos eleitores e dos atores políticos a partir de parâmetros ideológicos;
  6. “Lua de Mel” com o eleitorado: pressuposto segundo qual o recém-eleito terá o primeiro ano de governo como período em que desfrutará de apoio popular para implementar reformas estruturais impopulares.

Salvo algum lapso, esses são os parâmetros que pautam o comportamento tático-estratégico dos atores políticos tradicionais e, da mesma forma, o viés das análises políticas de acadêmicos e comentaristas políticos. Afirmar, portanto, que essa é uma eleição disruptiva implica em aventar a hipótese de que o comportamento dos eleitores não obedecerá aos limites em que se imagina possível encarcerá-los com o fim de entender suas condutas e vencer a eleição a partir desses pressupostos.

A primeira grande interrogação que põe em xeque essas categorias provém da estranheza e incerteza que esses mesmos atores e analistas políticos tradicionais revelam ao falarem sobre a conjuntura política e tentarem seus prognósticos eleitorais.

A segunda interrogação provém da incerteza sobre o peso que a campanha na internet terá nessa eleição em comparação com as anteriores em que as mídias tradicionais ainda foram dominantes.

E, finalmente, a terceira interrogação provém do pouco analisado potencial mobilizador das forças sociais que operam no tabuleiro político para além dos partidos, sindicatos e organizações sociais e políticas tradicionais.

Quais seriam, então, os indicadores de que esta será uma eleição disruptiva?

As eleições fora de época no Amazonas e Tocantins revelaram índices recorde de não-voto (soma de abstenções, nulos e brancos), da ordem de cerca de 40% no primeiro turno e 50% no segundo turno. Esses índices coincidem com as projeções de todos os institutos de pesquisa sobre os índices de não-voto das próximas eleições.

Pesquisas qualitativas feitas pelos partidos revelam um eleitor desalentado, descrente, cético, desconfiado e com raiva da classe política, mas, também, da instituição do Judiciário, percebido com conivente, senão cúmplice, da corrupção, notadamente do caso do STF.

Os dois candidatos que lideram as pesquisas de todos os institutos com Lula fora da eleição, Jair Bolsonaro e Marina Silva, ainda que não sejam outsiders, são percebidos como “não políticos”, ou, pelo menos, como não comprometidos com os esquemas políticos tradicionais.

Nenhum dos nomes lançados ao tabuleiro das especulações e balões de ensaio como possíveis candidatos do establishment, vulgo “centro”, consegue decolar nas pesquisas eleitorais ou mesmo empolgar demais partidos tradicionais para formar alianças ao velho estilo, percebidas por esses atores como fundamentais para viabilizar um projeto eleitoral.

O presidente da República, ainda que se movimente como articulador, melhor fará para viabilizar alguma candidatura do estabilshment se desaparecer da cena eleitoral. Ainda que a caneta presidencial possa operar a favor de algum dos nomes de sua simpatia, tudo indica que esse “cabo eleitoral” terá muito menos relevância do que já teve em qualquer outra eleição após o governo Sarney.

Quais são as novidades no cenário eleitoral:

1 – As mídias sociais deslocaram o poder das organizações tradicionais para as mãos de indivíduos e movimentos cívicos de novo tipo, que nada têm em comum com os ativistas e “movimentos sociais” do passado, todos cooptados pelo Estado ao longo dos 13 anos de governos petistas.

As estratégias de segmentação da comunicação nas mídias digitais, notadamente através dos dark posts no Facebook e a troca de mensagens no Whatsapp, são muito difíceis de ser percebidas para quem está fora das redes sociais reais do ativismo. Esse é um ingrediente causador de surpresas e que introduz enorme imprevisibilidade ao comportamento dos eleitores.

2 – O fim do imposto sindical desidratou os cofres dos sindicatos abalando fortemente a capacidade de financiamento eleitoral dos partidos de esquerda. Ciro Gomes cresce em densidade buscando aliança com o PSB e conquistando a adesão de franjas dos partidos tradicionais – especialmente no nordeste – na expectativa de herdar os votos de Lula com seu discurso de esquerda. Mas, o PT trava nessa eleição uma luta de vida ou morte e não pode deixar Ciro “roubar” “seu” eleitorado.

O PT é o segundo partido com maior acesso ao fundo eleitoral. Lula, segundo as pesquisas, pode alavancar Haddad como seu candidato ao  patamar de 11%, acima de Ciro Gomes que pontua com cerca de 7%, e encostando em Marina, que não tem partido (a Rede é um gelatina que desanda na eleição), não tem fundo partidário e nem tempo de TV e não usa as mídias digitais de modo profissional. Todos esses fatores recomendam que não se deva menosprezar o potencial eleitoral do PT.

3 – A presença do ativismo de viés liberal-conservador é muito mais forte nas mídias sociais do que a tradicional militância de esquerda. E, o envolvimento da esquerda com a corrupção sob os governos petistas empurrou essas forças para a defensiva.

O ativismo liberal-conservador que derrubou o governo petista saiu das ruas, mas está vivo, ativo e mobilizado nas mídias digitais e em atividades de reflexão e formação política. Opinião pública não é estatística de pesquisa publicada; é resultado de um jogo de forças mobilizadas. Esse é um fator que pesará na definição da eleição presidencial e que está fora do radar dos analistas acadêmicos e da mídia, por uma simples razão: a maioria desses analistas e comentaristas é de esquerda e não tem conexão com as redes sociais desse novo ativismo. Logo, não o compreende e não consegue antecipar seus movimentos.

3 – As características da comunicação nas mídias digitais anteriormente referidas e essa postura cética, desconfiada e raivosa dos eleitores em relação ao sistema político tradicional conferem alto grau de imprevisibilidade ao curso da eleição.

Nos casos do Brexit, da eleição de Trump e do recente plebiscito sobre o acordo de paz com as FARC na Colômbia os eleitores fizeram questão de contrariar as “análises” predominantes na mídia, que é nitidamente enviesada à esquerda.

Um eleitor com esse tipo de sentimento tende a manter distância e frieza diante da eleição, mas está atendo e crítico para escolher seu candidato na última hora, criando um movimento massivo e rápido de convergência em direção ao escolhido. Nesse contexto, o ativismo digital da rede real dos seguidores de Bolsonaro, cujo discurso está em sintonia com esse sentimento do eleitor é um ativo que nenhum dos demais competidores têm, ainda que contratem as melhores agências de publicidade para fazer suas campanhas nas mídias digitais em cima da hora, como não se deve fazer, mas, como estão fazendo.

4 – Jair Bolsonaro é o candidato que possui os maiores índices de engajamento nas mídias sociais. Seus 13% de manifestações espontâneas de voto nas pesquisas de todos os institutos constituem-se numa força organizada, monolítica e descentralizada mais poderosa de qualquer partido político. Bolsonaro vem operando bem, também, na dimensão tradicional da política (coligação com tempo de TV, articulação com parlamentares individualmente; alianças e articulações com evangélicos e outras forças sociais, conquista da confiança de setores do empresariado).

Em janeiro desse ano eu mesmo aventei a hipótese de que Bolsonaro tivesse batido no seu teto e pudesse vir a cair nas pesquisas. Não foi o que aconteceu. As análises tradicionais partem do pressuposto de que, quando começar a campanha na TV, o candidato do centro (quem?) crescerá e Bolsonaro, devido ao seu discurso e postura, não apenas não crescerá em direção ao centro, como perderá parte dos eleitores no segmento que está além dos 13% de seu voto espontâneo. Todos os argumentos aqui listados sugerem que há grandes chances de esse tipo de análise dar com os burros n’água.

5 – Por fim, o eleito, seja quem for; supondo-se cerca de 50% de não-voto no segundo turno, será eleito, em tese, com uma maioria efetiva de cerca de 25%+1 dos votos válidos. Ou seja, terá baixa legitimidade para governar num cenário de crise fiscal grave que demanda reformas estruturais que necessariamente terão de contrariar fortes interesses organizados. “Lua de Mel”?

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Cientista Político e Produtor de cinema e vídeo.