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BOLSONARO CAIRÁ NAS PESQUISAS?

BOLSONARO CAIRÁ NAS PESQUISAS?

A mais recente pesquisa Datafolha de dezembro passado apontava Bolsonaro com 11% das manifestações espontâneas de intenção de voto. No seu melhor desempenho o candidato chegou a 19% nas manifestações estimuladas nesse levantamento. Até agora Bolsonaro só cresceu nas pesquisas. Todos os institutos o apontam como segundo colocado.

Há diversos fatores que podem explicar esse desempenho. Entre as mais relevantes causas da grande adesão de uma parcela do eleitorado ao candidato pode estar uma combinação de três fatores: a) a decepção com a classe política em função dos escândalos que se sucedem desde o mensalão; b) a sensação de insegurança diante da incapacidade do Estado garantir a Ordem Pública e a aplicação da Justiça; e, c) o temor de uma parcela do eleitorado de que o PT volte ao governo.

Bolsonaro é percebido como um “não político” e, devido ao fato de ser sido militar; de proferir um discurso antipetista e “linha dura” no combate ao crime, transmite uma imagem que corresponde a esses anseios que o eleitor parece desejar ver resolvidos pelo próximo presidente.

O terceiro fator que pode explicar o crescimento de Bolsonaro, então, é o “efeito polarização” com Lula criado pela publicação de sucessivas pesquisas apontando-o com principal adversário do petista. Por “efeito polarização” entenda-se uma percepção criada na opinião pública sobre um cenário eleitoral artificialmente construído por essas manchetes.

Resultados de pesquisas eleitorais publicados muito antes das eleições precisam ser relativizados. Os eleitores somente se colocam diante da necessidade de escolha de candidatos num período muito próximo da eleição. Portanto, se perguntados num prazo muito distante do pleito sobre algo que não está no seu horizonte, os entrevistados tendem a responder com base no recall. Isto é, na “lembrança das marcas”.

No caso de Lula, pela sua trajetória política longeva e marcante e pela memória de seus dois mandatos em que o eleitor, especialmente o de baixa renda e da região nordeste, foi beneficiado por ganho econômicos artificialmente inflacionados por políticas públicas populistas.

No caso de Bolsonaro, pelos espaços midiáticos que ocupa com os fatos que cria e com suas declarações polêmicas, e, também, pela presença regular nas manchetes sobre as pesquisas que o apresentam com o “anti-Lula”. Logo, há uma parcela dos eleitores que manifestam intenção de voto em Lula e Bolsonaro, nesse momento, mas que não necessariamente votarão neles a depender da configuração definitiva do tabuleiro eleitoral.

O envolvimento de Lula com corrupção não abala o eleitor petista convicto e nem o eleitor de baixo grau de instrução que não acompanha o noticiário e cujas preferências eleitorais são geradas por aquela parte da memória situada no bolso.

Bolsonaro, até o presente momento, não havia sido exposto a controvérsias envolvendo sua conduta como homem público. Isto é, a ataques da mídia ou de adversários tendo como alvo seu principal patrimônio; a imagem de alguém que se apresenta como “não político” e “incorruptível”.

Tal como acontece com Lula (e acontecia com Maluf), uma parcela dos eleitores de Bolsonaro também não parece se deixar abalar por ataques à sua imagem. Nas mídias sociais, em geral, desqualificam o acusador ou minimizam as denúncias caracterizando-as como irrelevantes se comparadas com as “controvérsias dos outros”.

A novidade é que, com a virada do ano a conjuntura eleitoral mudou. Os atores ligados ao establishment político começaram a se mover mais objetivamente para definir quem será o candidato “de centro”. Essa entrada em campo do “centro” tem um jogo visível (as especulações com nomes visando a composição da chapa definitiva e sua aliança de apoio). E, um jogo invisível, através do qual os adversários de Bolsonaro alimentam a mídia com dossiês visando abalar sua imagem e retirar-lhe a parcela de eleitores que “aderiu” a ele nas pesquisas mais recentemente. Aquele contingente que supera a marca dos 11% de manifestações espontâneas de voto.

A imagem pública é o principal patrimônio de um político. Logo, a desconstrução da imagem dos adversários é parte previsível do jogo do poder. Essa desconstrução é feita com ciência e profissionalismo. Investiga-se a vida do adversário, formula-se estratégias de ataque, testa-se os ataques em pesquisas e, ao se constatar que funcionam, isto é, que provocam abalos na imagem do alvo, passa-se à prática.

A partir daí a mídia passa a ser alimentada com informações liberadas em doses homeopáticas e crescentes (notícias de menor impacto primeiro e de maior impacto depois), de modo a que, marteladas sucessivamente por largo período possibilitem que as informações cheguem a todo o público desejado e provoquem sangria nas manifestações de voto do alvo.

Publicadas assim, como notícia, as matérias passam a ser usadas pelos protagonistas do ataque “anônimo” como se as informações resultassem de investigações isentas da imprensa apenas. Com isso, os verdadeiros autores dos ataques permanecem submersos, mas seus multiplicadores valem-se dessa munição para a guerra política nas mídias sociais e nos círculos de convivência. Essa munição também abastecerá os candidatos nos futuros debates.

Bolsonaro, ao contrário de seus adversários, até prova em contrário, não se armou de uma estrutura profissional de assessoria política estratégica, de pesquisa, comunicação, marketing digital e data science. Bolsonaro “deu certo” até aqui nas mídias sociais sem contar com esse tipo de suporte e parece crer que pode prescindir dessas “armas”.

Antes de ser um fenômeno “da internet”, o crescimento orgânico de Bolsonaro nas mídias sociais é um fenômeno antigo de comportamento político que explica a emergência de quaisquer líderes populistas. O nexo que o vincula a seus seguidores é emocional e se assemelha à idolatria que um segmento do eleitorado tem em relação a Lula, ou tinha com Maluf ou outros líderes do gênero. As mídias sociais apenas potencializaram o fenômeno.

O exército orgânico (adesão espontânea e engajada) de seguidores que Bolsonaro reuniu em torno de si usando a internet é um trunfo respeitável e não deve ser menosprezado. Seus seguidores constituíram uma rede descentralizada de apoio inigualável e que lhe direciona esforços e recursos (inclusive financeiros) voluntários que nenhum outro candidato disporá nessa eleição.

Mas, Bolsonaro tem duas potenciais vulnerabilidades que serão testadas no próximo período:

  1. Lula, se condenado, poderá não ser candidato, esvaziando seu potencial como anti-Lula; e,
  2. Bolsonaro, como ele mesmo já declarou em seu Twitter, pretende ser o marqueteiro de si mesmo. Isto é, o candidato despreza a necessidade de utilizar as ferramentas da Ciência Política, do Marketing e da Comunicação Política, do Marketing Digital e da Ciência de Dados.

A dúvida, no entanto, é: conseguirá o ex-capitão de artilharia resistir ao fogo inimigo sem a polarização com Lula e sem as estruturas e recursos de que dispõem seus adversários?

As próximas pesquisas darão uma pista sobre seu poder de resiliência diante dos ataques que sofre e diante de um eventual cenário sem polarização com Lula. Sua eventual vitória eleitoral ameaça um esquema de poder que tem sobrevivido à sucessivas mudanças de governo. A experiência ensina que subestimar o inimigo nunca é uma atitude inteligente.

Paulo G. M. de Moura – Cientista Político

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Cientista Político e Produtor de cinema e vídeo.