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2018: LIMITES E POSSIBILIDADES DA RENOVAÇÃO

2018: LIMITES E POSSIBILIDADES DA RENOVAÇÃO

Por Paulo G. M. de Moura – Cientista Político

A expectativa de grande renovação na política brasileira nas eleições de 2018 está na mídia e nas análises que se publicam. Devido ao enorme desgaste de imagem sofrido pelos políticos e partidos tradicionais em decorrência da onda de corrupção que invade as manchetes diariamente. Fruto desse ambiente há muita gente imaginando que as urnas serão inundadas por muitos votos nulos, de uma parte, e por muitos votos destinados a candidatos que nunca exerceram mandato antes, por outro. Será?

Como preliminar convém esclarecer o que se entende por renovação. Os dados agregados de sucessivas eleições sobre a composição dos parlamentos sugerem em cerca de 40% a 50% o índice de renovação nas casas legislativas do país. Mas, esse índice se refere a eleição de parlamentares que ainda não exerciam mandato no cargo para o qual se elegeram.

Ou seja, o eleito pode nunca ter sido deputado federal antes, mas provém de um mandato político de deputado estadual, vereador, prefeito; era familiar de um político ou ainda, pertencia a grupos políticos tradicionais e foi guindado ao cargo por ter sido escolhido para ocupar o espaço deixado vago por um cacique do esquema. A rigor, o que muitos chamam de renovação, de fato, é reprodução dos esquemas de poder da velha política.

Por renovação, então, entendo o ingresso no mundo da política de nomes e partidos novos, sem vínculos com esquemas tracionais e que defendam novas ideias e formas de fazer política que não condizem com os métodos da velha política que está em crise.

Há possibilidades de isso acontecer em 2018? Sim há. Gostaria de estar errado, mas há limites para que essa renovação se apresente como uma avalanche de novos eleitos a ponto de mudar radicalmente o sistema de cima a baixo.

Parte desses limites provêm dos mecanismos de defesa que os partidos tradicionais introduziram na legislação eleitoral. O grosso do fundo partidário será destinado aos partidos tradicionais na proporção do tamanho das bancadas que herdaram da eleição passada e que não condiz com a representatividade e legitimidade que possuem hoje. Esses partidos e políticos seguem ocupando postos no Estado e, como consequência, em condições para reproduzir, ainda que de forma mais restrita e controlada, os velhos esquemas de financiamento eleitoral que não desaparecerão apenas por força da Lei.

Outra limitação provém do perfil do eleitorado. Parcela expressiva dos eleitores brasileiros vivem nos grotões ou são rebanhos de seguidores de lideranças políticas, religiosas e corporativas que pautam suas escolhas por critérios de interesse imunes aos escândalos de corrupção e ao sentimento generalizado da classe média urbana e instruída que foi às ruas em apoio à Lava Jato e pelo impeachment de Dilma.

No que diz respeito às campanhas majoritárias, notadamente para a Presidência da República, observa-se claramente nomes de fora da política tradicional (Luciano Huck, por exemplo) sendo lançados como balão de ensaio para a ocupação de espaços no vácuo da falência de lideranças tradicionais. O estabilshment, visivelmente assustado com o risco de eleição de um nome que escape ao seu controle, move-se para ter um candidato para chamar de seu, em torno de quem os velhos esquemas de poder do mundo empresarial e político dos amigos do rei se reorganiza com facilidade após vencer uma eleição.

Qual seria então a renovação possível?

Ao meu ver essa renovação virá das ruas. Pelo nome de lideranças e partidos novos que começaram a fazer política no movimento do impeachment e que estão entrando na política com a intenção de levar suas ideias e práticas para dentro das instituições.

Os Partidos Novo e o Livres, os nomes que o MBL vai lançar por dentro de legendas tradicionais, nomes ligados a movimentos como VPR, Nas Ruas, Movimento Liberal Acorda Brasil e outros, deverão concorrer por diferentes legendas.

Alguns desses grupos estão protagonizando uma campanha pela renovação em 2018 que será pano de fundo nas mídias sociais. O VPR e o Rancking dos Políticos preparam um site chamado Tchau Queridos que vai ser um mural de exposição dos políticos envolvidos em escândalos ou que votaram contra os anseios das ruas na legislatura que se encerra.

Nas mídias sociais, território privilegiado e recente do debate político, barreiras se erguerão à velha política que tem rabos a esconder e que não domina a linguagem e os acessos às redes de indivíduos que pautarão a emergência eleitoral desses novos nomes. Os movimentos e lideranças que foram às ruas dominam a tecnologia e a linguagem dessas novas mídias, construíram cadastros gigantescos de ativistas de rua e influenciadores digitais, detêm ferramentas de marketing digital e têm acesso direto e relacionamento intenso com seus públicos.

Esses movimentos e pessoas que foram às ruas em 2015 e 2016 saíram das ruas por motivos que não vêm ao caso, mas estão vivos, atentos, ativos e mobilizados no debate que segue em páginas e grupos do Facebook, Whatsapp e Telegram.

Candidatos majoritários desses partidos novos e desses grupos podem ter menos recursos e condições de competir com os candidatos tradicionais, mas ocuparão espaços enormes na mídia tradicional também (entrevistas, artigos, debates), criando um pano de fundo para a discussão de temas e propostas que os eleitores desconhecem e nunca foram testadas no Brasil antes.

Nesse contexto, imaginar que, das urnas de 2018 emerja uma bancada de lideranças liberais e conservadoras oriundas desses movimentos e partidos novos é uma possibilidade bem plausível. Operando de forma articulada nos parlamentos em torno de uma agenda própria e pautas comuns, ainda que por diferentes partidos, essas bancadas serão a grande novidade da próxima etapa da política brasileira.

Defensoras de valores e plataformas diferentes de tudo o que já se viu na política brasileira, essas lideranças, se souberem se articular e operar aliadas, mudarão a qualidade do debate político que se trava no Brasil. Experiências embrionárias desse novo fenômeno já são perceptíveis com a atuação de algumas lideranças com esse perfil que se elegeram em 2012 e 2014.

Difícil estimar nesse momento o tamanho que essas bancadas terão. Mas, isso importa menos do que a qualidade da mudança que o acesso desses nomes aos parlamentos, talvez até a algum governo estadual, representarão.

O velho sistema se defende e não será derrotado de uma tacada. Sem grandes ilusões de que teremos uma faxina generalizada na política, portanto. Mudanças desejáveis e consistentes devem ocorrer aos poucos e não por rupturas. E, apesar do pessimismo reinante com a profusão de escândalos do passado que emergem na mídia como novidade para os ingênuos e desinformados, a mudança está em curso e nos reserva gratas surpresas.

 

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Cientista Político e Produtor de cinema e vídeo.