logo
Lorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipiscing elit. Aenean feugiat dictum lacus, ut hendrerit mi pulvinar vel. Fusce id nibh

Mobile Marketing

Pay Per Click (PPC) Management

Conversion Rate Optimization

Email Marketing

Online Presence Analysis

Fell Free To contact Us
Lorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipiscing elit. Aenean feugiat dictum lacus

1-677-124-44227

info@your business.com

184 Main Collins Street West Victoria 8007

0
  • No products in the cart.
Top

POR QUE BOLSONARO ATACA DÓRIA

POR QUE BOLSONARO ATACA DÓRIA

Por: Paulo G. M. de Moura – cientista político

Na semana que passou repercutiu nas mídias sociais um ataque de Eduardo Bolsonaro contra João Dória em função de uma foto em que Alexandre Borges apareceu ao lado do prefeito paulistano no lançamento do livro “Guia Bibliográfico da Nova Direita” de Lucas Berlanza.

O inusitado ataque surpreendeu quem sabe que Alexandre Borges assessorou Flávio Bolsonaro na eleição passada para a prefeitura do Rio de Janeiro e é um dos expoentes intelectuais dessa chamada “nova direita”. Surpreendeu também, pelo conteúdo, pois, Eduardo Bolsonaro insinuou que a “nova direita” a que se refere o título do livro escondia uma defesa do “socialista fabiano” João Dória.

Observe-se que o ataque a Dória, camuflado de critica a Alexandre Borges, partiu de Eduardo Bolsonaro, que cursa pós-graduação em economia austríaca junto ao Instituto Mises Brasil (IMB), e não do seu pai e candidato Jair Bolsonaro. A escolha foi feita no detalhe para provocar o resultado que provocou, já que o IMB é uma referência para a formação de opinião junto a segmentos expressivos dos meios liberais e conservadores, nos quais se pode incluir parcela significativa das lideranças dos movimentos que protagonizaram o impeachment de Dilma.

Ao ataque sucedeu-se a publicação de inúmeros artigos e posts nas mídias sociais, cujo teor foi do chamado à unidade da “direita” (Rodrigo Constantino) ao elogio da divergência que tornaria “a direita” o centro do debate político nacional (Roberto Rachewski), sem contar as apaixonadas declarações de concordância ou divergência difundidas pelos seguidores dos envolvidos, numa profusão que até hoje repercute.

Até agora ninguém tentou explicar o ataque dos Bolsonaro a Doria pelo olhar do marketing político. Todos os argumentos de tantos que abordaram o fato se orientavam pela preocupação com seu impacto sobre a luta ideológica travada na sociedade por liberais e conservadores na disputa com a esquerda, que hegemoniza as universidades, as redações, os meios culturais e até mesmo algumas igrejas cristãs.

O que explica o ataque dos Bolsonaro a Doria é a eleição presidencial de 2018. A ascensão eleitoral de Jair Bolsonaro vem sendo estimulada pela publicação de sucessivas pesquisas de opinião (notadamente do Instituto Paraná Pesquisa) que, na prática, constroem a polarização Bolsonaro versus Lula ao transformarem esse assunto em pauta do noticiário e em objeto das análises e comentários políticos na mídia e nas redes.

Até pouco tempo o assunto central das análises e comentários políticos sobre a eleição de 2018 na mídia era a ascensão meteórica da virtual candidatura presidencial de Dória e o problema que ela causa aos tradicionais pretendentes nas hostes tucanas.

Quem monitora os grupos e movimentos que foram às ruas pelo impeachment de Dilma pode perceber o impacto que a ascensão de Dória causou sobre boa parte dos ativistas desses movimentos. Nas discussões e especulações eleitorais, há os apoiadores de Bolsonaro, havia os apoiadores de Caiado e, além desses, um grupo órfão em busca de um candidato para chamar de seu. Aqueles, dentro desses grupos, que se revelavam em busca de um nome ou que demonstravam simpatia pela virtual candidatura presidencial do senador Ronaldo Caiado, por exemplo, migraram quase que totalmente para o apoio a Dória (o que talvez explique a anunciada intenção de Caiado de disputar o governo de Goiás).

Recorrendo à imagem da estrutura clássica do “market share” aplicado à lógica eleitoral, imaginemos uma divisão hipotética do tamanho total do mercado político em três fatias de um terço cada: um terço de direita, um terço de centro e um terço de esquerda.

Pela esquerda poderemos ter Lula, Marina, Ciro Gomes e Luciana Genro disputando quem iria a um virtual segundo turno (alguns ficarão pelo caminho). Embora não seja correto rotular o tucano Dória como sendo “de direita”, o fato é que, ao anunciar privatizações, ao adotar uma postura de gestor empresarial da coisa pública e ao atacar Lula sistematicamente, ele projetou-se nacionalmente; invadiu esse território e avançou sobre um pedaço do terço direito do mercado eleitoral, tendo ele um perfil mais competitivo do que Bolsonaro para transitar pelo eleitorado de centro.

Em marketing político vigora a máxima de que um candidato deve escolher seu adversário e defini-lo aos olhos dos eleitores, antes que o adversário se autodefina e consiga controlar e administrar seu posicionamento. Daí a necessidade dos Bolsonaro de atacar Dória, carimbando-o como “socialista fabiano” (http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=2331), expressão difundida no Brasil por Olavo de Carvalho para atacar o PSDB.

Ao carimbar Doria com a alcunha de “esquerda”, Bolsonaro tenta empurrá-lo para fora de um território que pretende exclusivamente “seu”, na expectativa de expulsá-lo do terço direito do mercado eleitoral sobre o qual precisa crescer para aspirar a ida ao segundo turno de 2018. Isto é, Bolsonaro avalia que precisa crescer sobre um eleitorado que Dória conquistou à direita.

Imaginemos três possíveis estruturas de disputa em 2018: 1 – Direita contra Esquerda; 2 – Centro contra Esquerda; e, 3 – Centro contra Direita. Em todos eles supondo-se Dória como o candidato de centro.

Certamente, o pior cenário para Bolsonaro é o de número 2, que o excluí do segundo turno. Por óbvio, esse seria o melhor cenário para Dória, pois o tucano tenderia a atrair o eleitor de direita para derrotar o candidato da esquerda.

Bolsonaro vê Dória como seu principal adversário no momento, avaliando que, no cenário 3, todos os partidos, inclusive o PT, se uniriam em torno de Dória para derrotá-lo. Ou seja, do ponto de vista de Bolsonaro, atacar Doria desde já serve aos seus objetivos para qualquer cenário. Por isso, tirar Doria de seu caminho passou a ser seu objetivo prioritário.

Gostem ou não os liberais e conservadores de qualquer matiz, o que presidirá as ações de Bolsonaro desde já, não é a vocação apostólica para conquistar a opinião pública para os valores “da direita” mas sim, puramente, seus objetivos eleitorais.

Share

Cientista Político e Produtor de cinema e vídeo.